Quando um profissional posiciona um equipamento de laser ou LED sobre um tecido, o que acontece a partir daquele momento? Afinal, o que acontece na célula quando utilizamos fotobiomodulação?
Embora externamente possamos observar apenas a emissão de luz, no interior das células pode começar uma complexa sequência de eventos bioquímicos. É justamente essa interação entre luz e sistemas biológicos que está na base da fotobiomodulação (PBM – Photobiomodulation).
Utilizada em diferentes áreas da saúde, a fotobiomodulação vem sendo estudada por seus efeitos relacionados à modulação da inflamação, reparo tecidual, cicatrização e recuperação funcional.
Mas, para compreender seus efeitos, precisamos olhar para onde grande parte dessa história acontece: dentro da célula.
Da luz à resposta biológica
A fotobiomodulação utiliza luz não ionizante, geralmente nas faixas do vermelho e do infravermelho próximo, aplicada em parâmetros específicos com o objetivo de produzir respostas biológicas sem provocar dano térmico significativo ao tecido.
Quando os fótons atingem o tecido, parte dessa energia pode ser absorvida por moléculas capazes de interagir com a luz, denominadas cromóforos.
É a partir dessa interação que se inicia uma série de respostas fotoquímicas e fotofísicas.
E uma das estruturas celulares mais importantes nesse processo é a mitocôndria.
A mitocôndria no centro da fotobiomodulação
As mitocôndrias são frequentemente chamadas de “centrais energéticas” das células porque participam da produção de ATP (adenosina trifosfato), molécula fundamental para inúmeras funções celulares.
Um dos mecanismos mais estudados da fotobiomodulação envolve a citocromo c oxidase, uma enzima presente na cadeia respiratória mitocondrial e apontada como um importante fotoaceptor, especialmente para determinados comprimentos de onda do vermelho e infravermelho próximo.
A absorção da luz pode modificar processos relacionados à respiração mitocondrial e contribuir para alterações na disponibilidade de ATP.
Isso é particularmente interessante porque células envolvidas em processos de reparo, proliferação, migração e síntese de componentes da matriz extracelular necessitam de energia para desempenhar suas funções.
Entretanto, o aumento de ATP é apenas uma parte da história.
Óxido nítrico e espécies reativas de oxigênio
A interação da luz com a célula também pode influenciar a disponibilidade de óxido nítrico (NO) e provocar alterações transitórias em espécies reativas de oxigênio (ROS).
Embora as espécies reativas de oxigênio sejam frequentemente associadas apenas ao estresse oxidativo, em concentrações controladas elas também participam da sinalização celular.
Esses sinais podem ativar diferentes vias intracelulares e influenciar a expressão de genes e proteínas relacionados à resposta biológica.
Portanto, podemos pensar na fotobiomodulação como uma sequência:
Luz → fotoaceptores → alterações celulares → sinalização → resposta biológica.
E quais respostas podem ocorrer no tecido?
Dependendo do tecido, da condição tratada e, principalmente, dos parâmetros utilizados, os mecanismos associados à fotobiomodulação vêm sendo estudados em diferentes contextos.
Entre eles estão:
- modulação de processos inflamatórios;
- reparo e regeneração tecidual;
- proliferação e migração celular;
- atividade de fibroblastos;
- síntese e organização de componentes da matriz extracelular;
- cicatrização;
- recuperação muscular e funcional;
- modulação da dor.
Isso ajuda a explicar por que laser e LED são utilizados em áreas tão distintas como fisioterapia, estomaterapia, estética, dermatologia, medicina esportiva e, cada vez mais, odontologia.
Então basta aplicar a luz?
Não.
E esse talvez seja um dos pontos mais importantes para o profissional que utiliza fotobiomodulação.
A resposta biológica depende do protocolo.
A interação entre luz e tecido é influenciada por diversas variáveis, como:
- comprimento de onda;
- irradiância;
- energia;
- fluência;
- tempo de aplicação;
- modo de aplicação;
- área tratada;
- características e profundidade do tecido;
- condição clínica;
- objetivo terapêutico.
Além disso, a fotobiomodulação apresenta uma característica importante: mais energia não significa necessariamente melhor resultado.
A literatura descreve uma resposta dependente da dose, frequentemente discutida como resposta bifásica. Isso significa que parâmetros inadequados podem produzir resultados diferentes dos desejados.
Por isso, conhecer o equipamento é importante, mas compreender a interação entre luz, tecido e protocolo é fundamental.
E onde entram os ativos associados à terapia fotônica?
Esse é um campo particularmente interessante.
Se a luz é capaz de interagir com moléculas presentes nos tecidos e desencadear respostas fotoquímicas, pesquisadores também estudam diferentes formas de associar a energia luminosa a substâncias e moléculas específicas.
É importante diferenciar conceitos.
Na fotobiomodulação, o objetivo principal é modular processos biológicos por meio da interação da luz com estruturas celulares.
Já na terapia fotodinâmica (PDT), utiliza-se a combinação de luz, um agente fotossensibilizador e oxigênio para produzir espécies reativas capazes de gerar um efeito fotodinâmico específico.
Embora sejam abordagens diferentes, ambas demonstram algo fascinante:
a luz pode interagir com a química para produzir respostas biológicas.
É nesse encontro que nasce a proposta da FotonPharma
A FotonPharma nasceu justamente da integração entre Física, Química e Saúde.
Nossos produtos foram desenvolvidos pensando na utilização associada à terapia fotônica e na prática dos profissionais que trabalham com laser e LED.
O CicatriLux, por exemplo, reúne ativos voltados aos cuidados com a pele e ao reparo cutâneo em uma formulação desenvolvida para integrar protocolos associados à terapia fotônica.
O LumiActive foi desenvolvido para profissionais que trabalham com recuperação muscular e funcional, enquanto o Propiderm atua nos cuidados relacionados à hidratação e à barreira cutânea, podendo integrar rotinas associadas ao uso de luz.
A proposta não é substituir a ação do laser ou LED.
É pensar o tratamento de maneira mais ampla:
luz + protocolo + conhecimento + produtos desenvolvidos para essa finalidade.
A luz que vemos é apenas o começo
Quando observamos um feixe de laser incidindo sobre a pele, enxergamos apenas uma pequena parte do processo.
Dentro das células, podem ocorrer alterações na atividade mitocondrial, produção de ATP, sinalização celular e diferentes respostas biológicas.
É essa capacidade de transformar energia luminosa em sinal biológico que torna a fotobiomodulação uma área tão fascinante e em constante evolução.
E quanto mais compreendemos esses mecanismos, mais percebemos que utilizar laser ou LED não significa simplesmente “aplicar luz”.
Significa compreender a luz, o tecido, a dose e o objetivo terapêutico para construir protocolos cada vez mais fundamentados.
Na FotonPharma, acreditamos que o futuro da terapia fotônica está justamente nessa integração entre ciência, tecnologia e prática clínica.
Você é profissional e utiliza laser ou LED em seus atendimentos?
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